sábado, abril 14, 2007

O Mundo Moderno, 2

Desapaixonei-me pelo mundo moderno no ano passado. É verdade. Fi-lo a mim mesmo. Sempre tinha vivido com o desejo da fuga permanente, e com o medo de um dia enlouquecer. Então, acho que um dia decidi fazê-lo, perder-me, enlouquecer, para, se tudo corresse bem, encontrar-me de novo quando estivesse farto.
Estava enganado. O mundo moderno foi demais para mim, demais para a minha juventude de 19 anos. Experimentei as mais variadas alucinações e mentiras, muitas máscaras, muita desorientação pelas ruas, muito olhar pela janela e perguntar que raio de plano seria o meu, e será que devia confiar assim tanto em mim.
Porque eu julgava que me conhecia. Eu julgava que me falava e me respondia a todas as minhas próprias dúvidas. Eu julgava que sabia o meu caminho, que estava destinado, condená-lo a percorrê-lo por ser quem era, e que afastar-me um pouco e fechar os olhos à minha própria sede de vingança por um passado que não volta seria indolor, inócuo, indiferente.
Não era. Nestes dias, percebo que não era. Ganhei um medo terrível de certas coisas.
E pela primeira vez na minha vida, fiquei de luto por coisas que, á minha volta, morreram.
O meu funeral foi o primeiro a que assisti.



J.

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