terça-feira, fevereiro 07, 2006

Terça ao início da tarde.

Hoje, enquanto esperava pelo comboio por volta da uma e meia, a velha preta maluca, que canta o fado em altos berros passando todos os dias à tarde pela rua de minha casa, pregava o apocalipse, no meio da plataforma, gritando bem alto que íamos arder todos, e todas as pessoas se riam. Ao mesmo tempo, na rua que dava para o parque, o maluco que está sempre a gritar que vai chover e apenas veste uma manga do casaco, berrou sons guturais, correu a aproximar-se de duas mulheres que passavam, e baixou as calças mostrando-lhes sem pudor algum a a sua pila. Gritou bem alto "olhó gajo!!" e fugiu a correr, de novo, pronto para outra. É só cromos em amadora, pensei eu, enquanto entrava no comboio, voltando a baixar os olhos para o jornal, nem me preocupando por já não me assustar ou achar estranhas tais situações no meu dia-a-dia. Antes de as portas do comboio se fecharem, pude ainda ver um cão a fugir da trela do dono e atacar um casal de velhos que estavam a despedir-se do filho, dizendo adeus, mordendo-lhes as pernas e o guarda chuva, o dono a dizer Foda-se, Foda-se, Foda-se.
E que quer dizer isto? Nada, absolutamente nada.














J.

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