quarta-feira, maio 18, 2005

Fotografia 19.

Os poetas, ou escritores se a definição for tão falsa como fotografias de paisagens tiradas com chuva a cidades um pouco mais do que invisíveis, voltam, ainda que com dúvidas, à torrente iniciática de jorro de pensamentos líquidos, que não secam nem mesmo ao Sol do Verão, acarinhados aqui para que perdurem; não será melhor, depois do que reste, correr, em vez de escrever?
Sentirmo-nos talvez um pouco vivos quando o café com pessoas desconhecidas queime as próprias raízes das fundações dos prédios, e eles se desfaçam como cenário enquanto rompemos corporalmente os limites da cidade, ou pelo menos
Do mundo como o imaginamos: como eu o imagino.
Há Sol, aqui; há noites a preto e branco com as luzes estroboscópicas das trips de ácido –
E uma juventude perdida cuja falta imemorial de rebeldia, matou para sempre. E se forma houvesse de relativizar o consolo que é colorir os sons, nesta cidade, a dezenas de palmos terra abaixo, pode-se conceber a fuga, um último correr quase, apenas quase, imortal, uma cidade a preto e branco concebida no meu próprio desterro, deviam tentar seguir-nos até lá abaixo, estamos prestes a chegar a tudo aquilo que um dia seremos, estamos prestes a revelar-vos o que um dia descobrimos nas nossas próprias tardes passadas a descoberto de um modo de ressurgir, cada gole de café, cada centésimo de cafeína a fervilhar, estamos cada vez menos sozinhos, falta pouco, em breve saberemos ser
.Poetas
.








J. / P.





18 de Maio de 2005.

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